A decisão da CBF de deixar a CazéTV fora das negociações foi motivada por preocupações internas sobre concentração de mercado e possível conflito de interesses envolvendo empresas ligadas ao ecossistema de transmissão do futebol brasileiro.
Nos bastidores, a entidade avaliou que a LiveMode passou a ocupar diferentes posições dentro da mesma cadeia de negócios: atuando na negociação de direitos de transmissão, participando da estrutura comercial ligada à FFU (grupo de clubes) e, ao mesmo tempo, tendo ligação com a CazéTV, plataforma que também adquire esses direitos para exibição.
O debate ganhou força por conta da relação entre diferentes agentes do setor. A XP participou da estruturação da FFU, enquanto a SME realizou um investimento bilionário no projeto e adquiriu participação em direitos comerciais dos clubes por longo prazo. Paralelamente, a LiveMode foi contratada para comercializar os direitos de transmissão dessas equipes — cenário que levou a questionamentos pelo fato de a CazéTV, ligada ao mesmo grupo empresarial, também figurar entre as compradoras desses conteúdos.
Críticos do modelo apontam que essa estrutura pode gerar concentração excessiva e levantar dúvidas sobre independência comercial, tema que já foi alvo de discussões entre clubes, entidades esportivas e análises regulatórias.
Do lado da CBF, a leitura foi de preservar espaço de negociação e evitar que um mesmo grupo ampliasse influência simultânea sobre produção, venda e distribuição do produto futebol.
Além disso, o contexto econômico do esporte também entra na equação. Nos últimos anos, receitas ligadas ao mercado de apostas esportivas passaram a ganhar peso dentro do futebol brasileiro. Segundo dados divulgados pela própria entidade, em 2025 foram distribuídos R$ 767 milhões entre atletas, clubes e federações provenientes desse segmento.
Até o momento, não há decisão pública apontando irregularidade nas operações citadas, mas o tema segue alimentando discussões sobre governança, concorrência e o futuro dos direitos de transmissão no Brasil.



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