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Crítica: Euphoria chega ao fim com uma temporada abaixo do esperado 
Crítica: Euphoria chega ao fim com uma temporada abaixo do esperado 

A aclamada série da HBO Max, Euphoria, chegou ao seu final neste domingo (31) em um 3ª temporada bem abaixo das expectativas se comparado com as demais. A produção acabou perdendo todo o seu brilho e identidade, que tinha nos dois anos anteriores, e apostou em tramas e enredos vazios, que, por muitas vezes, escantearam personagens tão amados por todos que a acompanhavam.

A série acaba abandonando coisas marcantes que faziam com que ela se tornassem algo tão especial, como maquiagem, estética e trilha sonora (onde Labirith cravou em nossas mentes novas maneiras de enxergar o som em um produção televisiva), e focou totalmente em um estética vazia e sem brilho nenhum, parecendo mais uma das milhares de séries genéricas que podemos encontrar em qualquer streaming.

O impacto que as ações e acontecimentos tiveram nas duas primeiras temporadas foi completamente deixado de lado para cenas que focam em “chocar por chocar” sem uma construção prévia. Isso fica bem claro em uma das tramas principais que decide focar na trajetória da Cassie (Sydney Sweeney) que começa sua jornada como uma criadora de conteúdo adulto no Onlyfans.  

A trama, de uma das personagens que mais teve crescimento ao longo da série, se resume em cenas extremamente sexualizadas, mesmo em momentos em que isso não é o foco principal da cena em si. Ao invés de fazer uma crítica a essa temática do Onlyfans, onde mulheres, por muitas vezes, precisam se submeter a isso para sobreviver, Sam Levinson (produtor, diretor, criador e roteirista da série) usa como uma solução de roteiro para todos os problemas enfrentados pela personagem, mostrando claramente que ele não sabe escrever personagens femininas. Muitas das vezes a solução principal é usar o corpo de mulheres para resolver a trama.

Além da trama de Cassie, temos também a da Rue (Zendaya), que novamente tenta escapar do mundo das drogas, mas acaba se enfiando em um emaranhado de problemas que se torna muito maior que apenas o vício. Essa trajetória acaba resultando em uma final até que interessante para a personagem, que em determinado momento relembra acontecimentos passados, mas que acaba ficando apenas na superficialidade, já que o último episódio acaba desencadeando em outros personagens que não eram o foco principal da história, nem nessa e nem nos outros anos da produção. Isso mostra uma falta de rumo que a série teve nessa reta final, não só da produção mas da temporada em si.

Mas você deve estar se perguntando: E os outros personagens? A Maddy (Alexa Demie) até tem certa relevância, mas acaba sendo deixada de lado ao longo da temporada, servindo apenas como um estepe para Cassie e passando pelos mesmos problemas que ela, onde Sam Levinson acaba a levando para um ponto onde ela também tem que usar do corpo para sobreviver. 

Em relação a Jules (Hunter Schafer) , Lexi (Maude Apatow) e Nate (Jacob Elordi), não vale a pena nem gastar muito tempo, já que esses personagens, alguns tão queridos pelos fãs, acabam servindo apenas como artifícios de roteiro para as duas tramas principais seguirem em frente. Eles acabam se destacando muito mais por conta de suas atuações do que realmente em termos de história a ser contada.

Em resumo, Euphoria se tornou apenas uma sombra do que já foi, deixando de lado elementos marcantes e apostando em algo extremamente genérico e sem lampejos do que essa produção, que criou tendências, era.

O Autor

Rafael Monteiro

Jornalista da equipe FofoNews.

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