A Polícia Federal rejeitou a proposta de colaboração apresentada por Daniel Vorcaro por a considerar como “totalmente defensiva” e baseada em um “cálculo político”. As autoridades avaliam que o controlador do Banco Master tenta se esquivar de responsabilidade enquanto usa informações de forma seletiva para atravessar o período eleitoral.
O banqueiro busca se pintar como alguém que apenas transitava pelos círculos de poder em Brasília, mas resiste em admitir que suas próprias movimentações financeiras configuram atos ilícitos. Ele alega que os repasses a políticos eram justificáveis por “relações pessoais” para manter proximidade com autoridades.
A PF acredita que Vorcaro segura informações sensíveis de propósito, apostando que o cenário político e institucional mude a seu favor após as eleições de 2026. Os relatórios complementares apresentados pela nova defesa retiraram dados que a PF já possui, como anexos sobre figuras de peso, como o ex-governador Ibaneis Rocha e o senador Ciro Nogueira, que foram rejeitados por não trazerem provas novas.
Há uma forte suspeita de que ele filtre os relatos para poupar amigos e desviar o foco da gravidade das fraudes financeiras sob investigação. Enquanto os delegados da Polícia Federal apontam que a proposta é insuficiente e cogitam encerrar o acordo, integrantes da Procuradoria-Geral (PGR) adotam uma postura flexível.
A PGR avalia que os detalhes mais profundos e as provas mais robustas poderiam vir a aparecer na fase de depoimentos presenciais, defendendo que as negociações não sejam totalmente rompidas.
A defesa do banqueiro corre contra o relógio, pois os investigadores estipularam julho de 2026 como o prazo limite para que o acordo avance, evitando a contaminação do processo pelo calendário eleitoral. Além disso, o benefício de cela especial com visitas ampliadas de seus advogados expirou, forçando Vorcaro a se submeter às regras ordinárias de prisão da PF.
Comentários (0)