O caso Gabriel Ganley reacendeu um debate sobre o uso de anabolizantes no mundo da musculação e fisiculturismo e sobre como ele é difundido nas redes sociais. A espetacularização do uso de hormônios para treino se transformou em conteúdo de entretenimento dentro do mundo digital, o que gera um alerta para especialistas.
Esse debate ganhou mais força neste domingo (31), quando o Fantástico fez uma reportagem especial chamada “Show dos Hormonizados”, onde denunciava canais no youtube e perfis de influenciadores fitness que tratam essa aplicação de forma banal e descontraída.
A venda legal de testosterona, a substância mais utilizada como anabolizante, registrou um aumento superior a 700% no número de vendas nos últimos sete anos, onde é utilizado pelo apelo estético. Hoje, a transição de corpos “naturais” para os hormonizados nas redes sociais é tratada quase como um evento para atrair mais seguidores e conseguir fama dentro desse mundo.
A morte de Gabriel Ganley ainda é investigada pela polícia civil de São Paulo, mas um laudo preliminar aponta uma morte súbita causada por um problema cardíaco, com os resultados definitivos ainda sendo aguardados. O influenciador nem sempre utilizou de hormônios, já que no começo de sua trajetória ele era conhecido como “Bebezinho natural”, por conta de sua pouca idade (22) e por não usar anabolizantes.
Porém, com o aumento da popularidade, ele anunciou que passaria a utilizar hormônios para ter mais ganhos musculares. Isso foi acompanhado pelos seus seguidores quase como um evento, com vídeos publicados, participação em programas (onde ele falava sobre o assunto) e ainda chegou a receber uma aplicação em frente às câmeras. Ele chegou a relatar a seus seguidores complicações percebidas após iniciar o uso de anabolizantes.
O Conselho Federal de Medicina (CFM) proíbe terminantemente a prescrição de terapias hormonais com finalidade puramente estética, ganho de massa muscular ou melhora de rendimento esportivo. O mercado paralelo dessas substâncias burla a fiscalização e continua usando as redes sociais como vitrine.
Especialistas afirmam que os hormônios podem provocar alterações cardiovasculares importantes, incluindo crescimento do músculo cardíaco e aumento da viscosidade do sangue, o que pode causar uma complicação grave.
Amigos do influenciador dizem que a morte dele também expõe um problema ainda maior: A pressão por resultados para transformar isso em engajamento, que resulta em um ambiente onde corpos mais musculosos rendem mais visualizações.
Segundo Ricardo Lobo, amigo de Ganley, em entrevista ao Fantástico, “Fiquei com raiva e triste. A gente tem que fazer algo que normalmente a gente não faria para alcançar algo que a gente queira. Porque no final, tudo se resume à audiência”.



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